Dia 20: início da terceira fase

20/08/2009

Arriba amigos!

Entramos no carro e permanecemos em absoluto silêncio.

Enfim, o que voltaria a ser nosso habitaculo pelo interior do Brasil

Enfim, o que voltaria a ser nosso habitaculo pelo interior do Brasil

Foi um momento estranho. De alguma forma, sabíamos que a aventura estava chegando ao fim. Os últimos 19 dias haviam sido de uma intensidade ímpar: lugares, pessoas, culturas, gastronomia e a geografia da amazonia nos fizeram –como se diz atualmente nas rodas de executivos– pensar fora da caixa, revendo conceitos e quebrando paradigmas. A região Amazônica é, cada dia mais, de grande importância não só para o Brasil como para todo o mundo, tanto por suas reservas naturais de biodiversidade quanto por seu papel mandatório no regime de chuvas na região sul do continente e outras poderosas implicações no clima planetário. Assim, a Amazônia Legal se condensa como uma âncora em que fatores ambientais se somam a variáveis culturais e históricas que ajudam a definir o que, afinal, é o Brasil.

A única certeza que tínhamos naquele momento é que as impressões, fotografias e anotações que fizemos ao longo do caminho, foram sem dúvida, as últimas possíveis de terem sido feitas por uma equipe de expedição, sobre a Amazonia como ela realmente é. A região passa nos últimos anos (intensificado no segundo semestre de 2009) por profundas mudanças que vêm alterando sua face. O progresso muda a Amazônia dia a dia. Muitas de suas características começam a se perder, e outras tantas o farão a partir de obras sócio-econômicas que se fazem necessárias, execução do PAC e ainda, outras fontes de transformação.

Frente a essa realidade, nosso único objetivo sempre foi mostrar ao brasileiro, através de uma visão pessoal e intransferível, qual é a realidade da Amazônia, como ela se incorpora cultural, ambiental e socialmente ao Brasil contemporâneo. A informação é, afinal de contas, um vetor básico para a manutenção de culturas. Nos deu de certa forma, uma sensação de missão cumprida. Mas ainda tínhamos muito o que andar. Então…

Os segundos quase infinitos em que o silêncio imperou foram quebrados pela voz do Maeda: “E aí? Temos combustível?”. Estávamos com meio tanque de alcool, mas como não conhecíamos nada da estrada dali pra frente, achei melhor completar com gasolina a fim de termos maior autonomia de rodagem. Sob protestos do Maeda pedi ao frentista: “Complete com gasolina, por favor”. Tanque cheio, caímos enfim na estrada.

De Belém a Castanhal, excelente pista.

De Belém a Castanhal, excelente pista.

Saindo de Belém, percebi o quão grande essa cidade é. Tive a sensação de estar em São Paulo. Geralmente quando você vai viajar, fica ao menos uns 30 minutos na rodovia até conseguir sair efetivamente da cidade. Rodamos, rodamos e rodamos até que chegamos ao começo da rota: BR-316. Reconheço que o que havia ouvido falar sobre as estradas do interior do Pará, Maranhão e Tocantins não era nada bom. Ainda mais que, contextualizando àquele momento, tivemos um recorde histórico de chuvas na região, o que poderia contribuir efetivamente para a degradação da pista. Tivemos uma agradável surpresa: até a cidade de Castanhal (PA) foram cerca de 38 quilometros de pista excelente. Parecia um tapete, sendo um excelente início para nossa jornada descendo pelo interior do Brasil. Mas nem sempre o que é bom dura tanto. Andamos mais um pouco e entramos na famosa BR-010, mais conhecida como Belém-Brasília. Os proximos 100, 120 quilometros foram realmente ruins.

Um dos 'buraquinhos' na BR-010

Um dos 'buraquinhos' na BR-010

O estranho é como o conceito de ruim pode mudar de uma hora para outra, basta que se tenha um comparativo extremamente pior que o original para transformar uma coisa ‘ruim’ em ‘boa’, o que acontecerá em breve, acompanhem. :)

Arvores carregadas ao longo de todo o caminho Para - Maranhão

Arvores carregadas ao longo de todo o caminho Para - Maranhão

A pista tinha muito buraco e estava mal sinalizada. Tínhamos que misturar com cautela velocidades maiores com menores, desviar de verdadeiras crateras e por vezes, até invadir a pista contrária (o que é comum na região) para conseguir passar. As margens da estrada já foram totalmente desmatadas, mas percebe-se que além do gado, ha muita cultura da região: Açaí, Pupunha, Mandioca. Chegamos próximos ao fim da região Amazonica — levando em conta a Amazonia Legal, o Maranhão também tem sua parte. Cruzamos a fronteira entre Pará e Maranhão exatamente as 15:40. Dados histórico, Maeda me pediu adivinhem o que? Sim! Posicionamento geográfico. Sinceramente, ja estava até com saudade disso.

Campo de grãos - próximo a divisa entre Pará e Maranhão

Campo de grãos - próximo a divisa entre Pará e Maranhão

Marquei
Latitude: 4 45′ 26”
Longitude: 47 52′ 65”
Altitude: 140 mts

Nossa meta era chegar a Palmas. Continuamos rodando até escurecer. Devido a situação das estradas e também perigo de assalto, não dava para continuar a viagem a noite. Assim que o sol se foi, dirigimos até a cidade mais próxima: Porto Franco, Maranhão.

Sério, no próximo post vou lhes contar um pouco sobre esta… errrrr… pitoresca cidade e o pulga’s (*hotel* carinhosamente apelidado por mim). Fechamos o quarto de hotel por R$15,00 e dormimos.

To be continued…


Tempo

06/08/2009

Olá amigos.

Este mini-post é apenas para me desculpar.

Estou as voltas com a finalização de vários projetos e no momento me falta tempo para terminar a odisséia da Expedição Madeira. Prometo que até a próxima segunda-feira, 10/08, volto a atualizar este blog e lhes contar como foi nossa volta passando pelo interior do Pará, Maranhão, Tocantins, Goias, Distrito Federal, Minas Gerais e enfim, São Paulo.

Quem quiser falar conosco sobre a expedição, impressões da amazônia ou ainda qualquer outro assunto, pode usar o email exmadeira@gmail.com

Prometo que respondo todos.

Abraços!


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