… continuando a expedição por Belém
Passamos a manhã inteira no Ver-O-Peso: frutas da amazônia, peixes, mariscos, camarões, castanhas, pimentas, pessoas, o famoso artesanato de Marajoara e centenas de garrafadas. A propósito: já lhes contei sobre Dona Tieta, famosa vendedora de garrafadas que conhecemos por lá? Uma mulher forte, com sangue índio e que faz suas próprias garrafadas com receitas centenárias de seus antepassados. Engraçada e feliz, era quase caricata. 
Depois de vender o ‘Viagra Natural’ para o Maeda, me propôs um negócio: queria que eu fosse seu representante em São Paulo e passasse a vender as garrafadas nas feiras da capital. Ainda segundo Tieta, o fluxo era simples: eu levava algumas dezenas de poções e conforme fosse vendendo, faria novos pedidos por telefone. Ela então me enviaria rapidamente, em no máximo 3 dias, novo estoque. Por alguns instantes me imaginei como vendedor de garrafadas numa feira de São Paulo. Imagem mais bizarra impossível. Agradeci a Dona Tieta, peguei o telefone dela e prometi –por educação– pensar no assunto. Ficamos na barraca de Tieta por quase 40 minutos, ouvindo as mais variadas histórias sobre seus antepassados indígenas, ocultismo, mau-olhado, fórmulas e espíritos vagantes. Foi uma experiência engraçada e antropologicamente muito rica.
Saímos do Ver-O-Peso por volta das 13:00 e fomos direto pro hotel. Belém era um marco em nossa viagem. Estávamos para iniciar a terceira e última fase da expedição. A primeira foi de São Paulo a Porto Velho por estrada. A segunda, que acostumamos a chamar de fase molhada, foi o trajeto pelo rio Madeira, Amazonas, Negro, Solimões e Tapajós percorrendo Porto Velho – Manaus – Belém. Agora em Belém, devíamos nos preparar para terceira e última fase, descendo pelo Norte e Centro-Oeste brasileiro até retornar a São Paulo. Assim, para descansar um pouco, nos instalamos no hotel Regente onde pudemos enfim ter uma cama de verdade para dormir (ah, claro! e ar condicionado.

Maquina de vapor que fornecia energia para os equipamentos que eram operados no porto
Nota do autor: já havia chovido em Belém, assim poderíamos sair tranquilos. Pra quem não sabe, uma pergunta muito comum por lá é: “Você vai sair antes ou depois da chuva?” A primeira vista pode parecer uma questão estranha, mas ela é bastante válida para a região. Devido ao clima quente e úmido, em Belém chove praticamente todos os dias e (acredite!), quase com horário marcado: por volta das 3h da tarde. Sendo assim, normalmente as pessoas aproveitam para fazer uma sesta e descansar depois do almoço. É um costume local que deveria ser copiado pelo resto do país. Acho que vou sugerir isso no meu trabalho (só falta a chuva marcada).

Estação das Docas em Belém - Rio Guamá
Pois bem. Movido pelo espírito desbravador de Maeda –e ainda com uma cara ranzinza– calcei minhas botas e descemos a pé até a Estação das Docas, cerca de 2 quilômetros do hotel. Surgido a partir da revitalização do antigo porto da capital paraense, o espaço abriga três armazéns e um terminal de passageiros. O Armazém 1 é conhecido como Boulevard das Artes, o segundo, passou a ser o Boulevard da Gastronomia e o terceiro o Boulevard das Feiras e Exposições. Cada pedaço da Estação das Docas guarda um pouco da história, do exótico e do pitoresco da região. É praticamente uma mistura de aula de cultura local, artes, história e culinária. O espaço dos Boulevares é resultado de um cuidadoso trabalho de restauração dos armazéns de produtos do porto da capital. Os gigantes galpões de ferro inglês são um exemplo da arquitetura característica da segunda metade do século XIX. Ali também está localizada uma excepcional cervejaria artesanal (Amazon Beer), a qual me apeguei enquanto Maeda passeava pela terceira vez num dos museus da Estação –desculpe caro leitor, mas a verdade sempre tem de ser dita.

Guindates em sequência - Estação das Docas - Belem, Para.
E já que estamos neste assunto, Belém também é chope. O pessoal da Amazon Beer possui uma técnica artesanal de produção do chope que segue rígido processo e pode ser totalmente acompanhado pelo cliente. Através de uma parede de vidro transparente, é possível ver o vistoso maquinário de doze tanques de cobre e aço inoxidável, cada um com capacidade para 1200 litros, segundo Antonio, nosso garçom-amigo. Amazon Beer. Perfeito para o fim de tarde em Belém.

Chope da Amazon Beer. Perfeito para o fim de tarde em Belém.
Bom, vou parar por aqui hoje.
Ainda há algumas coisas de nossa passagem por Belém que gostaria de compartilhar com você.
Aguarde.
Muito legal esta etapa da viagem, mas, bem que vocês poderia ter trazido um bom estoque desse chope artesanal. Na minhas férias ja sei para onde irei.rs…Abraços, e vê se da pra escrever com mais frequencia.
Caríssimos,
Também tive a graça de estar em Belém.
O que muito me encantou nessa Terra foi o cheiro devido a grande variedade de bancas de frutas que existiam pelo centro da cidade (isso foi em 1984). Mas é uma cidade encantadora, muito quente (como você já disse) e, por isso, pede muitas cervejas geladas. Aí ainda tem a “Cerpinha”? Era tipo exportação (com louvor).
Quando estivemos por aí fomos até Salinópolis, conhecida como “salinas”, com praias extraordinárias e perto da ilha do algodoal.
Continuem firmes e boa viagem.
Marcelo
Ver o mercado Ver-o-peso, fez lembrar-me de quando ai estive. Quantas coisas diferentes e exoticas tem neste mercado.
Achei o povo dai muito divertido tb.
Estão otimos no passeio
Angelica
[...] Dia 18 – Belém: belezas e riquezas – Parte 2 julho, 20093 comentários 5 [...]