Dia 13 – Embarcando no Catamarã. Manaus – Belém

03/06/2009

Opa!

Logo que subimos à bordo de nosso catamarã Rondônia –o maior navio do baixo Amazonas–, duas distintas senhoras que também faziam parte da tripulação, nos levaram à conhecer nossos novos aposentos. Dona Maria e Dona Paula eram as responsáveis pelo bom funcionamento do navio. Coordenavam a cozinha e seus horários, o bar, a enfermaria e a limpeza. Além disso, antes da partida, uma das suas atribuiçoes era a de acompanhar os passageiros de camarote até seus quartos. Subimos dois lances de escada até chegar em nosso andar. No caminho vi as pessoas começando a colocar suas redes. É comum no norte as pessoas dormirem em redes durante a viagem. Os navios e barcos são preparados com grandes salões rasgados por estruturas de ferro para suportar inúmeras redes, uma ao lado da outra, sem qualquer tipo de separação. Quem chega antes consegue escolher os melhores lugares. Neste caso, as bagagens ficam sob um tablado, logo embaixo da ‘cama’ do dono. Chegamos ao camarote. Vejam, parece um nome pomposo mas o camarote é um espaço minimo, de 3 metros por 1, que contém um ar-condicionado (sim, isso salvou!) e 1 beliche. Nada mais. O banheiro era compartilhado com os outros membros de camarote mas não com o pessoal das redes.

Área de redes do Catamarã Rondonia

Colocamos nossas malas no quarto, o trancamos e fomos conhecer o resto do navio. Estávamos no 3 andar e a vista era realmente muito bonita. A Dona Paula havia escutado meu pedido e gentilmente o atendeu. Queria um quarto quase na água, com uma vista privilegiada. Assim, para tirar fotos, era só abrir a porta, apontar e clicar. Andamos por entre o salão de redes do segundo andar e já começamos a conversar com o pessoal. Havia pessoas de todo canto da região norte. Acreanos, Amazonenses, Paraenses, Roraimenses, Amapaenses e sobretudo, Maranhense. Meu Deus, como havia gente do Maranhão. Pra mim, eles ganharam o título de povo mais nômade do Brasil. Viajam muito e não aguentam mais que alguns anos no mesmo lugar. Daqui pra lá, de lá pra cá, pra acolá.

Maeda conversa com Sr. Eliseu. Seu primeiro novo amigo no navio

A saída do navio deveria ocorrer por volta das 14:00 mas como já disse, nestas viagens sempre há o problema de carga. Quando entramos, dei uma boa olhada no porão do navio. Como no caso da balsa Porto Velho – Manaus, parecia não caber mais nada. Ledo engano 2. Esperamos e esperamos e esperamos. Nada do navio zarpar. A esta altura, além das cargas que ainda estavam sendo carregadas, começou um rumor de que estávamos com um dos motores quebrados. Pelo que nos disseram, havia quebrado em sua última viagem subindo o Amazonas no trajeto inverso, de Belém para Manaus. As peças de reposição viriam de São Paulo e seriam colocadas pelo mecânico durante a viagem. Além da carga, estávamos esperando a chegada de tais peças.

Por volta das 07pm o navio começou a dar sinais de que partiria. Todos a bordo, porão já fechado, sem caminhões para descarregar. As voadeiras que não paravam de trazer passageiros também cessaram. Todos se reuniram na parte de trás da embarcação, área a qual contava com um bar (depois conhecido como o coração do navio) e também em outra, mais alta e toda aberta (deck) situada no quarto andar. Lá era o melhor lugar para fotos. Visao em 360 graus e sem nada para atrapalhar. Nesta altura, com o bar já aberto, forte calor e vendendo cerveja como água, todos conversavam e se entrosavam naturalmente.

O próprio Catamarã Rondonia

Algumas horas depois, cerca de 10pm, o navio finalmente levantou âncora, ligou o(s) motor(es) e partiu rumo à Belém. É um acontecimento. As pessoas ficam no deck se despedindo de parentes e amigos que estão no porto. Vi lencinhos sendo jogados por jovens senhoras, gente chorando, gente feliz como se partisse para um cruzeiro, alguns gritavam ‘te amo’ em direção à multidão que ficava, outros apenas um brado de ‘uhuuuu’.

Agora estava mais tranquilo. Olhei no cronograma o dia máximo em que poderíamos chegar a Belém de forma que conseguíssemos cumprir a risca a terceira etapada da Viagem. Neste momento estávamos exatamente no meio da segunda, apelidada por nós de ‘fase molhada’: navegando pelo Madeira e Amazonas de Porto Velho à Manaus e Manaus à Belém. Tínhamos um atraso de cerca de 12 horas, nada que não pudesse ser contornado.

Este post foi feito ao som de GreenDay – 21st Century Breakdown


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